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CONSTELAÇÕES FAMILIARES E OS CONTOS DE FADAS

A visão sistêmica na Jornada do Herói

“ O mito é um sonho coletivo e o sonho é o mito pessoal”

Joseph Campbell

Foi a partir dessa frase que encontrei a síntese para meu trabalho, a qual, imagino, certamente possa ter inspirado diversos outros consteladores ou terapeutas a trabalharem com os contos de fada associados às constelações familiares.

As constelações familiares, desenvolvidas por Bert Hellinger, representam uma acurada percepção fenomenológica sobre as leis ocultas que atuam em nossas relações, sejam elas familiares, afetivas, profissionais ou até mesmo institucionais. Bert demonstrou magnificamente a existência de uma dinâmica oculta aos nossos olhos que conectam todos os membros de um sistema (ou família) e que os mantêm interligados até a sétima geração.

Este sistema possui regras muito claras e objetivas para se sustentar e permanecer saudável, as quais todos seguem incondicionalmente: A ordem (que nos traz o sentido de hierarquia), o pertencimento (desenvolve o movimento da compensação, já que todos querem ser incluídos) e o equilíbrio entre o dar e o receber. A ausência de qualquer destes atributos gera a desarmonia e desequilíbrio para o sistema, fazendo com que alguém de uma das gerações seguintes, por amor, resolva compensar aquele desequilíbrio assumindo seu papel e, inconscientemente, repetindo seu destino, seja ele bom ou ruim.

Assumindo seu destino? Por amor? Como assim?

Num primeiro momento, talvez nos pareça difícil tal compreensão, afinal, estamos sempre julgando e sendo julgados de acordo com nossas crenças e cultura predominante.  E talvez, justamente neste ponto, é que o trabalho com os contos de fada se apresenta tão importante e significativo para mim. Ao trabalharmos com mitos, a identidade coletiva se manifesta de maneira tão clara que, de alguma forma ou em alguma instância, tocamos o coração do cliente e a solução se torna muito mais acessível, já que agora ele reconhece seu lugar dentro daquele contexto.

Uma imagem nos conta mais do que mil palavras e o trabalho com as Constelações Familiares é ancorado nesta percepção. Não são necessárias muitas palavras, tampouco detalhes dos fatos ocorridos ou historias sem fim quando buscamos uma solução. A síntese impera pelos movimentos corporais dos participantes e o que interessa ao sistema é simplesmente o ponto central, a raiz por detrás de todo o emaranhado, aquilo que sustenta toda a desordem na vida particular de um indivíduo e que deverá ser dissolvido ou desembaraçado e liberado para o bem de todos e saúde integral do sistema.

Como sou apaixonada por mitologias, fábulas e contos de fada, a cada encontro com as constelações familiares e as soluções por ela apresentadas ficava claro, na fala do cliente ou durante a compreensão de como tais ordens ocultas se manifestaram e foram solucionadas, a identificação com algum mito ou histórias infantis já conhecidas e o quanto nossas vidas se tornam reflexo das mesmas. Eis nosso mito coletivo se manifestando em nossa vida pessoal!

Querem um exemplo?

Uma cliente, cuja reclamação mencionava o fato de sempre estar sozinha e nunca permanecer mais do que 6 meses dentro de um relacionamento. Seu sonho era casar, mas já não acreditava mais nessa possibilidade e me questionava se algum dia ainda seria feliz ao lado de um homem.

Uma de minhas primeiras perguntas foi a respeito de que lado partia a decisão da separação, se da parte dela, dele ou de ambos. Ao que ela me responde quase que impulsivamente: “da minha parte, é claro! ”

Se partirmos da premissa de que só quando nos tornarmos inteiros e completos é que estaremos aptos para um bom relacionamento, se entrarmos em algum relacionamento como metades feridas, na expectativa de que será o outro quem preencherá nosso vazio e nosso sentimento de escassez e aquele que abrandará nossas dores e fraquezas, certamente estaremos aptos a encontrar mais facilmente a dor que o amor.

Sob esse olhar percebemos que a única maneira de estarmos inteiros e completos para caminharmos com nossas próprias pernas no mundo, é tomarmos por inteiro o amor ou a vida que recebemos de nossos pais, com tudo de bom ou de ruim que recebemos, ou pelo preço que pagamos quando nem tudo foi como nós desejávamos ou esperávamos.

Quando agimos assim, nos fortalecemos e crescemos. Caso contrário, permanecemos na postura da criança, insatisfeitos e indignados, acreditando que o mundo ou alguém ainda nos deve algo.

Lembram da minha cliente? Indignada por não encontrar um namorado! Quem estava se comunicando: uma mulher adulta ou sua criança?

Pois bem, ao perguntar-lhe sobre uma história ou mito preferido ela me trouxe Atalanta, da mitologia grega. O mito conta a história de um Rei que, esperando por um herdeiro para seu trono, abandona sua primogênita que passa a viver na floresta sendo criada por uma tribo de caçadores. Atalanta, desejando ser reconhecida pelo pai passa a vida tentando lhe provar o quanto era forte, rápida, capaz e destemida como qualquer homem, tornando-se a melhor caçadora de seu grupo. Foi preciso que um Javali gigantesco assolasse toda a região para que o Rei necessitasse de seus serviços. Atalanta aproveita a ocasião para exigir algo em troca de seus esforços: o tão almejado reconhecimento! E assim acontece. Ela mata o Javali, seu pai a reconhece perante o povo e ela se torna uma princesa. No entanto, uma princesa possui certos deveres e obrigações a cumprir e Atalanta agora deverá se casar, impõe o pai. Por essa ela não esperava! Como conciliar o amor do pai e o papel de princesa com a liberdade das matas e a vida de caçadora, dona de seu próprio nariz??

Pois questionando este dilema percebemos como muitos destinos infelizes são traçados em nome do amor. Quantos de nós, inconscientemente e por amor, escolhemos repetir as mesmas histórias e os mesmos papéis de nossos pais ou antepassados? Quantas Marias ou Pedros não escolhem uma carreira, um marido ou uma posição justamente para sentirem-se amados e incluídos? E quantos de nós não abdicamos de um sonho, pessoa ou posição, justamente pelas mesmas razões, sem nos darmos conta? Pois era exatamente este o enredo de minha cliente. Seu pai desejara um menino durante toda a gravidez de sua esposa e, de alguma maneira, sua alma decidiu atender a esse chamado. Passou a vida tentando provar ao pai o quanto era guerreira e competente dentro do universo masculino, ao ponto de quase anular sua identidade feminina. Se tornara uma mulher dura, rígida, autoritária, como uma dama de ferro, o que certamente acabava espantando qualquer possibilidade de aproximação de uma força masculina saudável ao seu lado. Sem perceber, minha cliente havia se transformado em Atalanta e, por mais que desejasse a presença de um companheiro ao seu lado, não conseguia perder o hábito de competir e degolar cabeças.

É disto que as Constelações Familiares tratam de forma tão delicada, sensível e absolutamente magistral: uma completa percepção da realidade e da posição onde cada membro de uma família se encontra e para onde dirige seu olhar. Com que membro estamos identificados e a que parte de sua história permanecemos enroscados. Quando nos damos conta desse lugar e aceitamos que não somos tão invencíveis ou intocáveis como imaginávamos, sentimo-nos liberados e conseguimos retornar à nossa verdadeira posição. A ordem é restabelecida e o sistema retoma sua paz e equilíbrio.

Mas, e quando mesmo assim o cliente não consegue crescer? E quando sua criança se encontra tão abandonada que ele prefere permanecer na indignação, culpando os pais ou o mundo por suas escolhas e por tudo que sente ainda lhe faltar?

Neste ponto, o trabalho com os mitos ou contos de fada pode se apresentar como um grande auxilio, uma vez que nos conecta diretamente com o universo da criança. Jean de la Fontaine dizia:  “Se quiser falar ao coração dos homens, há que se contar uma história. Dessas onde não faltem animais, ou deuses e muita fantasia. Porque é assim – suave e docemente que se despertam consciências. ” Parafraseando-o, se queres alcançar o coração de uma criança (especialmente as crianças internas, esquecidas e há muito abandonadas pelo adulto), seja também criança e caminhe ao seu lado como tal.  Os contos de fada abrem um lindo caminho de volta à infância e nos ajudam a perceber em que parte de seu mito pessoal o cliente está enroscado e a qual mito coletivo sua vida se corresponde.

Ao analisarmos os contos de fada, percebemos uma linha mestra que guia todos eles, seguindo o mesmo alinhamento e significado que atribuímos aos nossos 7 centros de energia que denominamos Chakras. Dos pés até a cabeça, ou seja, da construção de nossa base na vida até nossa coroação podemos comparar o desenvolvimento desses 7 vórtices de energia ao nosso próprio processo de individuação. Assim, identificando em que parte de nossa caminhada ficamos atolados, conseguimos desenvolver a melhor estratégia para supera-la e desenvolve-la.

Quando incorporamos o olhar sistêmico das constelações familiares em qualquer outro trabalho terapêutico, seja ele qual for, ampliamos nossa percepção do outro, aprofundamos sua compreensão e, acredito, alcançamos um resultado exponencialmente melhor. É assim que trabalho.

Exemplificando:

Todos os contos partem de uma apresentação dos personagens a partir do seu local de nascimento, de sua família, ou de seu contexto atual, o qual identificamos com o Primeiro Chakra, também denominado MULADHARA ou chakra raiz. Este centro de energia nos conecta com a terra e com a forma como a ela estamos conectados; nossa ancoragem no mundo e nossas raízes terrenas, ou seja, nossa ancestralidade e todos que a ela pertencem. Em outras palavras, mostra obviamente como nos conectamos com nossos pais.

Neste ponto, energeticamente associado ao primeiro septênio (0 a 7 anos de idade), trabalhamos a confiança primordial e a determinação em acreditar na força da vida. Tomamos a vida por inteiro, pelo preço que nos custou e aceitamos receber o que nos foi possível. Qualquer desarmonia com este princípio levará o personagem a caminhar com pernas bambas, sentindo certa fraqueza e buscando apoiar-se em outros personagens para realizar seu sonho ou tarefa.

Comparando com a visão sistêmica das Constelações Familiares percebemos como é fundamental tomar o amor dos pais, ou aceitar a vida que nos foi dada por eles para nosso desenvolvimento e amadurecimento. Sem esta gratidão permanecemos presos nas memórias de primeira infância e caminharemos a vida inteira de muletas, esperando que algo ou alguém nos preencha ou realize a tarefa por nós…

Subimos ao Segundo Chakra, também denominado SVADISTHANA, esplênico ou umbilical, cuja palavra-chave é movimento e prazer. Este chakra está associado à abundância, prosperidade e à alegria de viver. Normalmente associado ao segundo septênio (dos 7 aos 14 anos de idade) quando a criança vai para a escola e descobre um novo universo fora de sua casa. Ela está ávida por experimentar o mundo e cheia de curiosidade. A vida é uma aventura e temos todo o tempo do mundo para explorá-la.

Nos contos de fada representa o momento onde o herói ou heroína percebe que algo lhe falta e decide se aventurar para encontra-lo. Aqui a aventura se inicia, o conto toma movimento e na maioria das vezes o herói terá de passar por diversos desafios até desenvolver a habilidade de confiar em si mesmo, perceber que tudo o que necessita sempre esteve consigo e ouvir seu coração.

Já nas Constelações Familiares, após tomarmos o amor dos pais ou a vida como nos foi possível (1º chakra), podemos aceitar o novo e deixar o velho para trás. Se estamos ancorados, poderemos realizar nossos sonhos e concretizar nossas ambições pois o futuro não nos amedronta. Caminhamos firmes e confiantes e, portanto, não esperamos mais que o mundo nos empurre ou que alguém nos alimente; desta forma, a vida se torna próspera pois sabemos que o que levamos na bagagem é mais do que suficiente e, portanto, nada mais nos faltará. Este é o momento ideal para perceber que não precisamos de mais nada de nossos pais; temos garra e capacidade, dispomos de todas as ferramentas/talentos necessários para empreendermos nossa jornada e o futuro nos pertence.

Agora sim, estamos alicerçando o Terceiro Chakra, também denominado MANIPURA ou chakra do Plexo Solar, ativo entre os 14 e 21 anos, que nos fala sobre a força de vontade e o poder pessoal. Aqui descobrimos quem somos, o que queremos e quais são nossos verdadeiros dons. Surge a criatividade, a expressão autêntica do nosso ser. E não poderia ser diferente. Foi preciso tomar a força dos pais, crescer e desejar explorar um mundo novo. Ao escolhermos olhar em outra direção concordamos em ser e fazer diferente daqueles que vieram antes de nós e assim, criamos um novo destino.

Nos contos de fada encontramos o ponto da história onde o herói recebe uma ajuda ou proteção; encontra um objeto mágico que lhe auxiliará durante sua jornada ou recebe uma dica valiosa para a solução. Aqui descobrimos que não estamos sós. Um sentimento de coragem se apodera e o herói ou heroína percebe que possui todas as chaves para a solução de seu enigma, basta aceitar a ajuda.

Em paralelo podemos perceber a importância de dar e receber, de ajudar e receber ajuda. Hierarquicamente, recebemos de nossos pais e retribuímos com gratidão fazendo o mesmo por nossos filhos; passamos de geração a geração tanto os dons herdados quanto os talentos novos desenvolvidos, esta é uma boa compensação. No entanto, entre um casal, a relação assume outro patamar, o do equilíbrio, onde a cada um compete dar e reciprocamente receber em igual proporção. É tão importante ofertar quanto saber receber, caso contrário, nossa balança penderá para um dos lados e aquele que permanecer em baixo, na postura de apenas receber, estará se igualando às crianças, sempre insatisfeitas e indignadas por mais que recebam de seus “pais/companheiros”.

Quando este centro de poder não está bem alicerçado, utilizamos do auxílio como forma de poder ou controle sobre os outros. Ofertamos ajuda esperando algo em troca e manipulamos as relações para dominar o outro. Daí ser tão importante o olhar do pai e seu reconhecimento. Se este olhar nos faltou e não conseguimos aceitar o que foi possível, utilizaremos as relações como trampolim para buscar aquilo que nos falta, usando e abusando da bondade ou ajuda alheia, sem nunca saciarmos esta fome primordial.

Todavia, inversamente, aceitando o que nos foi possível, amadurecemos e ficamos mais inteiros para o relacionamento. Quando nos sentimos aptos a aceitar o outro com tudo o que de bom e de ruim ele possui, estamos prontos a desenvolver o Quarto Chakra.

Denominado Anahata ou chakra cardíaco, este vórtice, associado ao 3 septênio (dos 21 aos 28 anos de idade), desperta a compaixão e nossa capacidade de amar incondicionalmente, ou seja, sem impor condições, acolhendo o outro e sua história sem julgamentos ou exclusões.

No conto de fadas, apresenta-se no momento em que o herói deve mostrar a força de seu coração e provar se sua compaixão é grande o suficiente para arriscar a própria vida. Aqui o herói demonstra toda sua coragem (de agir com o coração) fazendo o que precisa para resolver o drama, mesmo que corra um grande perigo.

Paralelamente, estamos diante dos destinos entrelaçados e das tragédias familiares passadas de geração a geração…

Bert Hellinger diz: “O amor que adoece é o mesmo amor que cura”

Levou um certo tempo para eu compreender estas palavras e o que ele dizia sobre a lei do pertencimento e sua compensação:  como fazemos escolhas inconscientemente nocivas a nós mesmos, única e exclusivamente por amor. Assim, quando um membro de uma família, por alguma razão, é excluído; algum membro, de alguma geração posterior, mesmo sem saber ou sem querer, reclamará esta exclusão e expiará sua dor se colocando no lugar daquele. Consequentemente, assumirá o mesmo destino. Desta forma encontramos diversas gerações de uma mesma família adoecendo do mesmo mal, falindo da mesma maneira, repetindo as mesmas tragédias…

A solução é simples: aceitação. Quando aceitamos o destino do outro, com suas escolhas, sejam elas boas ou más, acolhemos o resultado, saímos do julgamento e da discriminação e conseguimos inclui-lo, aceitando sua luz e sua sombra.  Quando todos são incluídos, nos sentimos liberados e todas as gerações seguintes se desobrigam de expiar ou repetir aquele destino.

Aceitar a sombra do outro, ou o seu pior, só é possível quando aceitamos a nossa, quando percebemos que não somos perfeitos; temos falhas e defeitos como qualquer ser humano. Saímos da postura de infalíveis e onipotentes (o grande) e acolhemos nossa pequenez, nossa ínfima condição de aprendizes da vida (nos fazemos pequenos).

Somente desta forma conseguimos ouvir e expressar a voz que vem de nossos corações. Sem esta condição permanecemos atrelados às nossas feridas e mágoas passadas, às dores e sofrimentos que tornam nossa fala crítica, amarga e, muitas vezes, violenta.

O coração, ou quarto chakra, representa uma ponte, a conexão entre os três Chakras inferiores com os três superiores. Sem a abertura do coração teremos um ego ferido e sem poder, atacando ou mesmo massacrando o mundo com suas palavras. Eis aqui o guerreiro ferido, lutando em vão e perseguindo batalhas que não são suas.

Ao contrário, quando um guerreiro escuta seu coração e segue seu próprio destino, sua voz só pode transmitir a verdade e seu tom reproduz apenas amorosidade e acolhimento. Esta é a verdadeira expressão do Quinto Chakra.

O Quinto Chakra também denominado VISHUDDHA ou chakra da garganta nos conduz à própria verdade. Quem somos e em que acreditamos verdadeiramente. Nos contos de fada este vórtice se faz presente quando o feitiço é quebrado, a magia desfeita ou algo muito importante é revelado.  Esta é a hora da Verdade.

Paralelamente, numa Constelação Familiar, estamos no momento da constatação: a percepção daquilo que é real pelos movimentos e percepções apresentados versus tudo o que supúnhamos existir. Aqui, as máscaras caem, os véus são retirados e o ponto cego finalmente é vencido. Não podemos mais nos enganar; por mais doloroso que seja, a imagem dos representantes desarma todos os jogos de ilusão ou percepções viciadas sobre o assunto em questão. Este é o ponto do trabalho onde os castelos de areia desmoronam e tudo o que havia sido construído em nossa cabeça, muitas vezes durante anos a fio, é desmontado.  É chegada a hora de expressarmos o quanto sentimos pelos maus julgamentos e pelas atitudes arrogantes, orgulhosas ou mesquinhas do passado, que apenas nos afastaram do amor de quem nos era tão caro e importante. “Eu sinto muito”.

Neste ponto da jornada o herói adquire a humildade, pois reconhece seus erros e aceita seu passado. Ele agora percebe que tudo tem dois lados, que nem tudo é de todo mal e que as experiências ruins o amadureceram e o fortificaram. Seu discernimento gera sabedoria: agora ele pode caminhar com neutralidade diante da vida e com tranquilidade conseguirá olhar em outra direção. Alcançamos o Sexto Chakra!

O Sexto Chakra, também denominado AJNA, frontal ou chakra do terceiro olho, nos transmite a capacidade de enxergar além das aparências; conseguimos discernir acerca do bem e do mal e aprendemos a agir com neutralidade diante das situações que a vida nos apresenta, sem nos identificarmos com a dor ou os apegos e percebendo que tudo faz parte do aprendizado. Agindo assim, caminhamos com sabedoria e um novo destino poderá se apresentar.

Estamos quase alcançando o topo da montanha, o magnífico Sétimo Chakra! A paisagem é vasta, diversificada e cabe somente a nós escolher em que direção dirigir nosso olhar…

Isto me lembra o mito grego sobre o nascimento de Afrodite: Conta o mito que o Deus Céu (Urano), criativo e ilimitado, todas as noites deitava-se sobre a Deusa Terra (Gaia), receptiva e abundante. Desta união nasceram muitos filhos: Ciclopes, Hecatônquiros e Titãs, forças da natureza e gigantes que povoaram a terra. Mas, Urano, o Pai, desapontado pela imperfeição de seus filhos, atirava-os ao Tártaro, a região mais longínqua do mundo e privava Gaia de vê-los crescer. Certa feita, Gaia, cansada de tanto parir e ver seus filhos serem arrancados de seus braços, decide mudar a situação. Chama os filhos sem que Urano perceba e pede que algum deles ponha um fim neste tormento. Qual deles iria enfrentar o pai e castrá-lo, liberando a mãe daquela violência sem fim?

Apenas um deles, Chronos (Saturno, o Tempo) aceita o fardo. Se existia alguém capaz de assumir esta responsabilidade seria ele, o caçula. E assim sucede. Na calada da noite, quando Urano deita-se sobre Gaia, Saturno aparece silenciosamente e zapt, castra o Pai sem dó nem piedade.

Do sangue jorrado pelo órgão violentamente castrado, ao cair sobre a terra, surgiram as Erínias, poderosas deusas da vingança, especialmente vingadoras de crimes consanguíneos. Ao mesmo tempo, do esperma de Urano que voou longe, ao cair no mar e se esparramar sobre suas ondas e espumas, submergiu Afrodite, a poderosa deusa do Amor.

O caminho do sexto para o sétimo chakra é representado exatamente por este desfecho: em que direção queremos olhar?

Aqueles que olham para a violência e sentem-se sensibilizados pela dor de Urano, certamente encontrarão muitas Erínias em seu caminho. Desejosos de compensar um mal ou crime estabelecido atrairão, sem o perceber, os mesmos fatídicos destinos.

Mas, felizmente, há os que optam por um novo olhar… A esses, o clã agradece, pois cada um agora ocupa o seu lugar e, desta forma, a nova vida poderá florescer e prosperar: nasceu o Amor!!!

Eis o Sétimo Chakra, também denominado SAHASRARA ou chakra da coroa. Sua energia é a unidade e nos contos de fadas, em geral, representa o momento da coroação: o herói se torna um Rei, casa com a princesa, retorna ao seu lar ou recebe um tesouro e todos serão felizes para sempre.

Nas Constelações familiares, nem sempre encontraremos o tão desejado final feliz. Algumas vezes, o melhor que podemos fazer por nós mesmos é aceitar o passado, pelo preço que nos custou. Parece pouco ou injusto, mas é justamente neste singelo gesto que se encontra a nobreza de uma alma e a grandeza de um passo em direção ao Mais: mais vida e mais amor. Quando cada membro de um sistema (seja familiar ou organizacional) ocupa seu lugar, a ordem é imediatamente restabelecida, a harmonia aparece e o amor, finalmente, poderá reinar.

Trabalhar com mitos ou contos de fadas com uma visão sistêmica me encanta, pois é profundo e muito revelador. É certo que a união destas duas ferramentas terapêuticas não é necessária nem tampouco fundamental para um bom trabalho com as constelações, nem é minha intenção compará-las. Escrevo apenas como um exercício de percepção, demonstrando aos que compartilham comigo do amor às histórias infantis, que este é um tema que merece dedicação e, se cuidadosamente compartilhado, poderá encantar muitos e muitos corações. Afinal, como dizia Saint-Exupéry pela voz do Pequeno Príncipe: “O essencial é invisível aos olhos, e só se pode ver com o coração…”

Dani Rossi

 

 

 

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Daniela Rossi

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